segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

PORQUE GILSAM


Gilsam é inquestionavelmente um dos maiores nomes da música reggae baiana, nós só não sabemos disto. E por ignorarmos isto, às vezes o penalizamos ao ostracismo de reconhecimento. Lembro-me, como se fosse hoje, da premiação do Vozes da Terra (edição 2010), festival de música local realizado pela prefeitura municipal de Feira de Santana. Nele, Gilsam sacodiu toda a plateia, possivelmente o jurado também, com o balanço de sua bela poesia cantada ao som estonteante do reggae, de uma forma que apenas ele sabe fazer. Quando todos estavam certos de classificação em primeiro lugar, eis a surpresa: Gilsam passou longe de uma classificação técnica, os contemplados foram jovens artistas que muito ainda poderiam aprender com o mestre Gilsam. 

Ontem, mais uma vez Feira de Santana teve a oportunidade de se redimir com esse grande artista. Uma programação realizada no Mercado de Artes, sob a coordenação do artista Jean Marques, contou com roda de capoeira, com a qual colaborei, apresentação do Roça Sound (outra boa prata de Feira) e Gilsam. Eu estava ao berimbau, na roda de capoeira, quando Gilsam foi chegando com seu jeito pacato, carregando seu inseparável violão, e encostou com alguns amigos ao canto de um dos Box e ficou apreciando as apresentações que lhes antecederam. Quando subiu ao palco, deixou para trás toda aquela timidez de homem pacato e cresceu assustadoramente com a energia da música reggae dizendo para todos nós porque ele era Gilsam. Todos, inclusive eu, pulavam, dançavam como crianças, sem nenhuma timidez. Tudo isso, porque ele era Gilsam


Espero que o povo de Feira de Santana reconheça a tempo o belo filho que a nossa Princesa do Sertão nos rendeu. E que ele continue brilhando e trazendo tanta energia para nós que ouvimos e dançamos a sua música. Aqui não vai ter tra tra tra, porque somos Gilsam


Por Bel Pires Oliveira

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